Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Também elas pagam o mau governo...


"Crianças portuguesas são das mais carenciadas"

in Público de 29 de Maio de 2012

E em Portugal?

El Roto in El País de hoje


"-Em Espanha passa-se muito tempo na rua. Cada vez mais!"

Desabafo de um homem cansado



Já percebi que os meus amigos não sabem que eu também escrevo livros...

Desculpem, cansei-me de ser "anónimo" aqui lhes deixo notícia:


Mas continuem... bem hajam!

A abrir a semana: sem vergonha na cara

Christine Lagarde: a prepotência indelicada...


A Grécia aqui tão perto
Por Manuel António Pina

As chocantes declarações da directora-geral do FMI ao "Guardian" revelam bem que género de gente preside hoje aos nossos destinos e a quem governos como o português ou o grego subservientemente se vergam. Por momentos, Lagarde deixou cair o idioleto técnico com que ela, Durão Barroso e a "fürehrin" Merkel, mais os seus feitores locais, justificam o empobrecimento forçado dos povos e mostrou o rosto selvagem do neoliberalismo dominante, assente no direito do mais forte à liberdade.


Perguntada se não lhe custava impor ao povo grego, sobretudo aos mais pobres, medidas de austeridade que cortam em serviços fundamentais como a saúde, a assistência social ou o apoio a idosos, a directora-geral não podia ser mais clara (nem mais cínica): "Penso mais nas crianças que andam na escola, numa pequena aldeia do Níger, que apenas têm duas horas de aulas por dia e partilham uma cadeira por três...".


E que tem Lagarde a dizer àqueles que, na Grécia, todos os dias lutam hoje pela sobrevivência, sem emprego e sem serviços públicos? Que se ajudem a si próprios "pagando os seus impostos". Mas as crianças, senhora? "Bem, os pais são responsáveis, não? Por isso os pais que paguem os seus impostos".
Maria Antonieta não o teria dito melhor. Só que os "sans cullotes" de hoje persistem em crer que ainda vivem em democracia (se calhar até em democracia económica).


transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje


e, já agora, pergunto eu, saltando para a África que a senhora Lagarde evoca, tão "carinhosamente": o que é que o capitalismo financeiro tem feito no continente africano, além de explorar e roubar as suas riquezas e reescravizar quem lá vive?
MP 

Arte e vida

Obra de Abel Salazar



“O artista ao criar uma obra de arte, não tem outra finalidade que não seja o próprio acto de criação; realiza-se nesse acto e, assim, no acto se resuma a finalidade da obra de arte.

Uma vez realizada, a obra de arte não mais interessa o artista; é um fruto maduro, que caíu.

Em realidade o artista não procura nem o Belo, nem o Sublime, nem o Real, nem qualquer outra finalidade estética; ele realiza-se, simplesmente. A criação de uma obra de arte é um acto vital, fundamentalmente em nada diferindo de qualquer outro acto vital. Ora a vida não tem outra finalidade que não seja o seu próprio acto de viver; a vida é, por sua própria natureza, construtiva, mas a finalidade da construção reduz-se ao próprio acto construtivo, exaure-se e termina nele.”


…e logo outro lhe sucede, porque cada deles pertence à mesma cadeia, ou nebulosa, vinda do início que nunca existiu porque dele não descobrimos sinais suficientes ou seguros, e continuando e repetindo-se através do infinito…, divago sobre essa passagem de “O que é a arte?”, de Abel Salazar (Arménio Amado Editor, Coimbra, 1940).


José Luís Porfírio cita-a e comenta-a, no excelente ensaio/apontamento, rico em inteligência e sensibilidade, Transparência e Opacidade (catálogo da exposição ‘Transparência Abel Salazar e o se tempo, um olhar’, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, Setembro/Novembro de 2010).


A identificação do acto de viver -do movimento incessante da vida, afirmação sempre renovada da vida- com o acto da criação artística é fascinante, abre a caixa de Pandora e precipita questões infinitas, também elas infinitas…, e inesgotáveis.


Logo à cabeça do primeiro capítulo do livro referido, escreveu Abel Salazar:


“Para definir Arte seria preciso definir Vida; o mesmo é dizer que é impossível definir Arte.”


E, agora, é contigo amigo; é convosco, amigos.

É connosco.